Não respeite meus cabelos brancos!


NÃO RESPEITE MEUS CABELOS BRANCOS!
agosto 14, 2008, 10:57 pm
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Em uma das últimas tardes de maio, Humberto Gessinger nos recebeu em seu apartamento para uma entrevista sobre um tema que muito se fala, mas pouco se explica: o amor. Com seus trejeitos tímidos, entre coçadas de barba e passadas de mão nos cabelos, o vocalista e principal compositor da banda Engenheiros do Hawaii falou sobre suas canções, envolvimento político, família, idade, tempo e quaisquer outras abstrações que fôssemos capazes de sugerir. E, no olho-a-olho, nos fez perceber: mesmo para quem está acostumado a expressar sentimentos, falar do coração não é tarefa fácil.

(AS PERGUNTAS SEGUEM ABAIXO. SÃO 56 NO TOTAL, MAS SOMENTE 15 ESTÃO NA BARRA LATERAL)



3×4 – Humberto, o que é o amor?
agosto 14, 2008, 10:57 pm
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Humberto Gessinger – O que é o amor…



3×4 – Já entramos de carrinho [risos]
agosto 14, 2008, 10:56 pm
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HG – O amor é uma mistura de um monte de coisas, tipo paz, felicidade… Acho que é um mix, por isso que é tão difícil definir. Satisfação, paz, felicidade…



3×4 – E qual é o contrário do amor?
agosto 14, 2008, 10:56 pm
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HG – Pô, o contrário do amor é falta de paz, falta de tranqüilidade. O amor é a hora que a gente deixa de ser um indivíduo, talvez seja isso, o lance da transcendência. A gente é um indivíduo, e claro, não pode compartilhar as coisas mais profundas. Mas o amor faz a gente pelo menos ter a ilusão de estar transcendendo isso: que já não é mais uma pessoa e, portanto, já não é finito. E o contrário do amor talvez seja exatamente esse peso de ser finito, de ser uma pessoa isolada, de no fundo não poder compartilhar nada. Se tivesse que resumir seria isso: o amor é o que te faz transcender as tuas limitações como indivíduo, e o contrário do amor é aquilo que te aprisiona nesse lance de ser o indivíduo. Tem aquela imagem de vários peixes em aquários diferentes, cada peixe sozinho num aquário. Talvez o amor faça com que a gente seja todos peixes na mesma água.



3×4 – O amor está restrito a pessoas?
agosto 14, 2008, 10:54 pm
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 HG – O amor a uma pessoa é o mais óbvio, porque ali materializa, e tem o lance da paixão. Talvez a palavra “amor” tenha se vinculado a esse tipo de relacionamento porque é o mais óbvio, o mais visível na vida de todo mundo. Mas eu acho que é uma coisa mais ampla, que tem a ver com o mundo em si.



3×4 – O amor a si mesmo, o amor egoísta, aprisiona ou transcende?
agosto 14, 2008, 10:54 pm
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HG – Ele dá uma ilusão de transcendência, mas na verdade é uma grande prisão, porque ele fecha a porta. Amor de fechar a porta eu acho que não é amor, e amor por si mesmo é amor de fechar a porta. Esse amor obsessivo a uma pessoa só eu também não considero um amor de verdade, porque quem tem essa obsessão, na verdade, está se projetando na outra pessoa. Está amando a si mesmo na figura de outra pessoa… Vocês fazem comunicação ou filosofia? [risos]. Próxima pergunta: como se opera um apêndice? [mais risos].



3×4 – Bom, fugindo disso então, como é fazer parte de uma banda que é ou amada ou odiada?
agosto 14, 2008, 10:53 pm
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HG – Eu não tenho experiência de estar em outra banda, por isso não sei como é estar em uma banda morna. Então, aprendi a gostar muito disso e até a sentir falta em alguns momentos. Agora, com a tendência de ficar com os cabelos grisalhos, a tendência é as pessoas te respeitarem, o que não é uma sensação muito boa… O lance do respeito não é assim…